sábado, 12 de setembro de 2009
Você não sabe o que foi aquele beijo. Havia em seus olhos uma multidão de estranhos que, de repente, parou instantes para olhar. Empurrei os seus olhos com os meus e ouvi o silêncio dos seus pensamentos, já não sabendo se aquilo que eu pensava era meu ou se era teu porque olhar nos teus olhos é se deixar espiar por estrelas. Como se aquilo que eu pensava também já fosse tarde demais, meus pensamentos sugados pelos olhos teus. Havia nestes olhos uma correria inútil de tampar segredos e eu soube de todos eles, não por meio de palavras, mas por meio de silêncios. Eu nunca soube decifrar silêncios, mas posso tocá-lo com a ponta dos dedos. Assim eles ficaram, os segredos daquele olhar, no canto das coisas que eu pensava e pensava, antes de aproximar os meus lábios. Você não sabe o que foi aquele olhar. Eram olhos que guardavam perguntas insistentes, e eu quase arrumei de volta os seus cabelos, abotoei a sua camisa e lhe pedi desculpas por ter invadido. Mas sorrisos são pontes que se abrem no rosto para o outro poder passar. E só por conta daquele sorriso eu atravessei a distância entre o meu rosto e o teu para encostar os meus lábios aos seus.
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